Fraunhofer desenvolve projeto teuto-brasileiro para aproveitar cinzas de cana-de-açúcar

Publicado em 03/09/2015
Centro Alemão de Ciência e  Inovação em 25/08/2015

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Em parceria com instituições brasileiras e alemãs, o Instituto Fraunhofer UMSICHT desenvolve uma pesquisa, no estado de Goiás, para utilização sustentável da cinza do bagaço da cana de açúcar – um resíduo da indústria com uma alta proporção de lignocelulose. Neste projeto é dada atenção especial ao aproveitamento térmico para o uso posterior da cinza, que pode ser utilizada não apenas na agricultura (como fertilizante), mas também na produção de biopolímeros.

A cana-de açúcar foi introduzida no Brasil no período colonial e transformou-se em uma das principais culturas da economia brasileira. Nos últimos anos, com intenso debate acerca de fontes de energia limpa, ela ganhou um grande destaque, sobretudo na produção nacional, pelo seu potencial como biocombustível.

Tanto na produção de açúcar quanto de etanol, após a colheita, a cana é repetidamente pressionada e desgastada, de modo a permanecer apenas o bagaço que é rico em lignocelulose. Em seguida este bagaço é reutilizado como fonte de energia necessária para o processamento da cana. Entretanto, há uma preocupação ambiental em torno da grande quantidade de resíduos gerados pela indústria a partir da queima do bagaço, pois anualmente são produzidas aproximadamente 10 milhões de toneladas de cinza.

Em Goiás, no centro do país, a população é de apenas 18 habitantes por quilômetro quadrado, sua base territorial é semelhante ao tamanho da Alemanha. Nessa região, onde há muito espaço para agricultura, o solo é considerado muito fértil. Com cerca de 37 variedades de produtos cultivados no estado, dentre eles a cana-de açúcar, que é um dos mais importantes produtos da região, logo atrás da soja e do milho. No estado são produzidos entre 17 a 30 quilos de cinza por tonelada de cana processada.

Olhando para essa questão, o instituto Fraunhofer UMSICHT, em parceria com Instituições brasileiras e alemãs, desenvolve uma pesquisa no estado de Goiás para utilização sustentável desse resíduo. No projeto, o instituto coordena o Consórcio de Cientistas e Instituições alemãs e brasileiras com o objetivo de auxiliar na pesquisa e promover a melhora do processo para utilização das cinzas como fertilizante e aditivo na produção de biopolímeros.

Testes de Combustão
Além da pesquisa no Brasil, será estudado no Instituto Fraunhofer UMSICHT na cidade de Sulzbach-Rosenberg (na Alemanha) e no Instituto de Tecnologia de Karlshue (KIT) as possibilidades para uma melhor combustão. Após os primeiros testes no reator do laboratório do KIT, serão realizados em larga escala teste pilotos, conduzidos pelo UMSICHT em várias instalações de combustão. O objetivo é otimizar ao máximo a decomposição térmica para produzir cinzas ricas em nutrientes. Especialmente o fósforo e o potássio estão no foco dos cientistas. Estes elementos devem permanecer nas cinzas com a maior concentração possível.

A cinza produzida é então peletizada ou granulada, de modo a permitir uma aplicação mais simples para a área agrícola. Para isso, esses testes de manuseio serão executados pelo Fraunhofer UMSICHT em Oberhausen (Alemanha), onde será experimentado o tratamento ideal do fertilizante produzido. Os pesquisadores também estudam o modo como as propriedades da cinza processada afeta o prazo de armazenagem do fertilizante.

Consórcio Teuto-brasileiro
O projeto é financiado pelo Ministério Federal de Educação e Pesquisa, no âmbito do Programa Bioeconomia 2012, e tem duração de três anos. Em maio de 2015 ocorreu a reunião de lançamento em Sulzbach-Rosenberg (Alemanha). A pesquisa é coordenada pelo Fraunhofer UMSICHT e conta com a parceria: do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT); Instituto Federal de Pesquisas e Testes de Materiais; Fraunhofer IGB, o Centro de Pesquisa Jülich; o Instituto CUTEC; Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiás (IFG), Laboratório Nacional Agropecuário (LANAGRO), Universidade Federal de Goiás (UFG) e as empresas Tecnaro GmbH e Outotec.

Em setembro o Fraunhofer UMSICHT fará um workshop na Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha em São Paulo, para apresentar melhor o projeto. Para mais informações sobre o evento: andrea.mandalka@zv.fraunhofer.de

Por: Raquel Nascimento
Com Informações: Fraunhofer UMSICHT e Ministério da Agricultura

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