Fantasia futurista no cinema nacional

Publicado em 31/08/2010
31/08/2010, em O Estado de S. Paulo

Com entusiasmo renovado, Cláudio Torres flerta com a ficção científica Ciência. Wagner Moura no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais Escorado no sucesso de A Mulher Invisível – que ultrapassou 2 milhões de espectadores -, Cláudio Torres realiza O Homem do Futuro com apuro formal e entusiasmo de principiante. “Gosto desse formato de comédia romântica, que aqui flerta com a ficção científica. Produtores e distribuidoresficam contentes com a perspectiva de novo sucesso de bilheteria e eu tenho espaço para dizer algumas coisas que me interessam.” O filme é um pouco o De Volta para o Futuro e também O Exterminador do Futuro de Cláudio Torres. Tem efeitos – poucos, mas tem. A trama é centrada nos personagens e nas relações.

“É um típico filme construído em três atos. No primeiro, apresento os personagens e a situação geral. No segundo, o protagonista muda sua trajetória e sofre as consequências. No terceiro, há a solução.” A história é a desse sujeito amargurado, um cientista obscuro cuja vida virou uma m… desde que ele sofreu um bullying na faculdade e perdeu a mulher que amava. De volta ao próprio passado, ele consegue mudar seu futuro. Vira o maior canalha, mas fica rico e poderoso. Na verdade, chega um momento em que o herói tem de brigar consigo mesmo para reencontrar o jovem idealista que foi, pois o fato de ser rico não lhe garantiu a mulher. Ela não aguentou conviver com o monstro em que ele se transformou. A cena filmada no sábado é relativamente simples. A câmera acompanha Maria Luiza Mendonça e Wagner Moura que caminham um longo percurso, ao longo do anel que circunda o acelerador de partículas no Laboratório Nacional de Luz Sincrotron.

Eles caminham, e falam – ou, melhor, discutem. Param, e o teor das vozes aumenta. O travelling é repetido algumas vezes. A produção é interrompida para o almoço. Na volta, Cláudio filma os planos próximos de Maria Luiza e Wagner para inserir no plano sequência, cortando-o. Ele anuncia que o filme será uma combinação do visual de O Redentor com A Mulher Invisível. “Delirante como O Redentor, mas sem aquele caráter sombrio; a cor e a cenografia estão mais próximas de A Mulher .” Boa parte da trama passa-se durante a festa de fantasias em que o jovem Wagner Moura sofreu seu bullying, sendo humilhado pelos colegas. O personagem é chamado de “Zero”. Num determinado momento, o humilhado Zero, para não ser identificado, fantasia-se de múmia. “Yurica (NR: a cenógrafa e figurinista Yurica Yamazaki, irmã de Tizuka) está fazendo um trabalho da maior competência”, diz o diretor.

A própria Yurica está no set, mas neste dia não pode intervir no cenário – como introduzir detalhes visuais no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais. O detalhe divertido pertence mais ao figurino. Wagner Moura ostenta uma barriguinha (falsa). E ele põe e tira a barriga. “Tire a sua”, o ator provoca o repórter. Maria Luiza curte o papel. Ela acaba de fazer um dona de bordel no longa, parcialmente autobiográfico, que assinala o retorno de Arnaldo Jabor à direção, 26 anos após Eu Sei Que Vou Te Amar (e 20 depois do curta Carnaval). O título é Suprema Felicidade. Uma dona de bordel seguida da reitora de uma universidade? “Gosto de mudar de papéis, de tentar coisas novas. Seria muito aborrecido ficar repetindo sempre o mesmo personagem.” Carioca, Maria Luiza está morando de novo, há alguns anos, no Rio. Mora no alto do Humaitá, numa área bem residencial. “Com a proximidade da mata, minha casa tem até alguns macacos, que aparecem por lá.” Mas ela não dispensa São Paulo.

“Adoro a cidade, sua vida cultural, a movimentação. Sempre que posso, dou um pulinho por lá.” A produção foi planejada para ser rodada em cinco semanas. O sábado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) é o 16.º dia de filmagem. Cláudio Torres e sua equipe têm só 24 horas durante as quais, a cada dois meses, o sistema de aceleração de partículas passa pela manutenção. O sistema não é desativado, mas eliminam-se os riscos de contaminação por raios X e ultravioleta. Daqui a pouco, Maria Luiza vai avançar, histérica, aos gritos, pela ponte sobre o acelerador. Isso seria inviável num dia normal. O sistema é todo de alta segurança, informa o assessor de imprensa do Centro. Coisa de Primeiro Mundo – e, aliás, muitos cientistas e técnicos estrangeiros utilizam os serviços do CNPEM. Cláudio Torres não poderia ter encontrado cenário mais adequado para sua fantasia futurista.

Nem ator. Ele admite que escreveu O Homem do Futuro Fantasia futurista no cinema nacional Com entusiasmo renovado, Cláudio Torres flerta com a ficção científica Ciência. Wagner Moura no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais Escorado no sucesso de A Mulher Invisível – que ultrapassou 2 milhões de espectadores -, Cláudio Torres realiza O Homem do Futuro com apuro formal e entusiasmo de principiante. “Gosto desse formato de comédia romântica, que aqui flerta com a ficção científica. Produtores e distribuidoresficam contentes com a perspectiva de novo sucesso de bilheteria e eu tenho espaço para dizer algumas coisas que me interessam.”

O filme é um pouco o De Volta para o Futuro e também O Exterminador do Futuro de Cláudio Torres. Tem efeitos – poucos, mas tem. A trama é centrada nos personagens e nas relações. “É um típico filme construído em três atos. No primeiro, apresento os personagens e a situação geral. No segundo, o protagonista muda sua trajetória e sofre as consequências. No terceiro, há a solução.” A história é a desse sujeito amargurado, um cientista obscuro cuja vida virou uma m… desde que ele sofreu um bullying na faculdade e perdeu a mulher que amava. De volta ao próprio passado, ele consegue mudar seu futuro. Vira o maior canalha, mas fica rico e poderoso. Na verdade, chega um momento em que o herói tem de brigar consigo mesmo para reencontrar o jovem idealista que foi, pois o fato de ser rico não lhe garantiu a mulher. Ela não aguentou conviver com o monstro em que ele se transformou. A cena filmada no sábado é relativamente simples. A câmera acompanha Maria Luiza Mendonça e Wagner Moura que caminham um longo percurso, ao longo do anel que circunda o acelerador de partículas no Laboratório Nacional de Luz Sincrotron. Eles caminham, e falam – ou, melhor,
discutem. Param, e o teor das vozes aumenta. O travelling é repetido algumas vezes. A produção é interrompida para o almoço.

Na volta, Cláudio filma os planos próximos de Maria Luiza e Wagner para inserir no plano sequência, cortando-o. Ele anuncia que o filme será uma combinação do visual de O Redentor com A Mulher Invisível. “Delirante como O Redentor, mas sem aquele caráter sombrio; a cor e a cenografia estão mais próximas de A Mulher .” Boa parte da trama passa-se durante a festa de fantasias em que o jovem Wagner Moura sofreu seu bullying, sendo humilhado pelos colegas. O personagem é chamado de “Zero”. Num determinado momento, o humilhado Zero, para não ser identificado, fantasia-se de múmia. “Yurica (NR: a cenógrafa e figurinista Yurica Yamazaki, irmã de Tizuka) está fazendo um trabalho da maior competência”, diz o diretor. A própria Yurica está no set, mas neste dia não pode intervir no cenário – como introduzir detalhes visuais no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais. O detalhe divertido pertence mais ao figurino. Wagner Moura ostenta uma barriguinha (falsa). E ele põe e tira a barriga.

“Tire a sua”, o ator provoca o repórter. Maria Luiza curte o papel. Ela acaba de fazer um dona de bordel no longa, parcialmente autobiográfico, que assinala o retorno de Arnaldo Jabor à direção, 26 anos após Eu Sei Que Vou Te Amar (e 20 depois do curta Carnaval). O título é Suprema Felicidade. Uma dona de bordel seguida da reitora de uma universidade? “Gosto de mudar de papéis, de tentar coisas novas. Seria muito aborrecido ficar repetindo sempre o mesmo personagem.” Carioca, Maria Luiza está morando de novo, há alguns anos, no Rio.

Mora no alto do Humaitá, numa área bem residencial. “Com a proximidade da mata, minha casa tem até alguns macacos, que aparecem por lá.” Mas ela não dispensa São Paulo. “Adoro a cidade, sua vida cultural, a movimentação. Sempre que posso, dou um pulinho por lá.” A produção foi planejada para ser rodada em cinco semanas. O sábado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) é o 16.º dia de filmagem. Cláudio Torres e sua equipe têm só 24 horas durante as quais, a cada dois meses, o sistema de aceleração de partículas passa pela manutenção.

 

O sistema não é desativado, mas eliminam-se os riscos de contaminação por raios X e ultravioleta. Daqui a pouco, Maria Luiza vai avançar, histérica, aos gritos, pela ponte sobre o acelerador. Isso seria inviável num dia normal. O sistema é todo de alta segurança, informa o assessor de imprensa do Centro. Coisa de Primeiro Mundo – e, aliás, muitos cientistas e técnicos estrangeiros utilizam os serviços do CNPEM. Cláudio Torres não poderia ter encontrado cenário mais adequado para sua fantasia futurista. Nem ator. Ele admite que escreveu O Homem do Futuro para Wagner Moura. “Gostava de imaginar o Wagner dizendo as falas, mas ele me surpreende. Diz ainda melhor do que havia imaginado.”melhor do que havia imaginado.”

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