Embrapii seleciona unidades para desenvolver projetos de inovação com indústrias

Agência FAPESP, em 14/09/2015

 

A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) está com duas chamadas públicas abertas para seleção de novas unidades a serem credenciadas para o desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica em parceria com empresas do segmento industrial.

Os detalhes das chamadas foram apresentados por representantes da Embrapii em uma reunião realizada na última quinta-feira (10/09), na sede da FAPESP.

As chamadas públicas são voltadas para selecionar grupos de pesquisa, situados em universidades e instituições de ciência e tecnologia, públicas e privadas, que desenvolvam atividades de pesquisa e desenvolvimento de interesse de empresas para compartilhar custos e riscos e que já tenham experiência de interação com o setor industrial, explicou Jorge Almeida Guimarães, diretor-presidente da Embrapii, durante o evento.

“Uma vez selecionadas, as unidades buscarão no prazo de seis anos projetos para realizar com empresas em seu foco de atuação tecnológica. A cada projeto que conseguirem, um terço dos recursos será aportado pela Embrapii a fundo perdido, outro terço pela empresa e o terço restante pela unidade”, detalhou Guimarães.

A Chamada 01/2015 selecionará e credenciará duas unidades na área de biotecnologia para saúde, nas áreas de competência de: Diagnósticos in vitro: biologia molecular, robótica, reagentes químicos, sensores, adutores; Biodispositivos e Biossensores: dispositivos implantáveis com materiais bioabsorvíveis, dispositivos com microeletrônica embarcada, com sensores e transdutores para sinais biomédicos, nanoinstrumentação; Bioengenharia e Implantes: robótica, neurociência, biomecânica, eletroestimulação, órtese e prótese de mobilidade; Biomateriais: engenharia de tecidos, cerâmicos, metálicos; Biologia Sintética: engenharia genética, reconstrução genômica; Biotecnologia Ambiental: biorremediação, biodegradáveis, resíduos sólidos; Bioquímica de Renováveis: enzimas, biocombustíveis; Biofármacos e Farmoquímicos.

Para se candidatar a essa chamada, os grupos de pesquisa deverão comprovar a contratação de R$ 5 milhões de projetos realizados com o setor empresarial no período de 2012-2014, sendo que, no mínimo, 50% dos recursos estejam relacionados a projetos na área de competência proposta.

As instituições interessadas em participar dessa primeira chamada deverão enviar uma carta de manifestação de interesse até as 12h do dia 14/09.

“A comprovação da contratação de projetos com empresas pelas instituições proponentes a serem selecionadas e credenciadas pela Embrapii é importante para demonstrar que já possuem experiência em trabalhar com o setor empresarial”, disse José Luis Gordon, diretor de planejamento e gestão da Embrapii, no evento.

Já a Chamada 02/2015 selecionará e credenciará até cinco unidades, em qualquer área.

Para se candidatar a essa segunda chamada, os grupos de pesquisa também deverão comprovar a contratação de R$ 7 milhões de recursos em projetos com empresas em sua área de foco tecnológico, também no período de 2012 a 2014.

A data-limite para o envio de carta de manifestação de interesse para essa segunda chamada é 21 de setembro, até as 12 horas.

“A instituição que não é uma unidade Embrapii pode se candidatar para as duas chamadas, mas em áreas tecnológicas distintas”, explicou Gordon.

Caso a instituição já seja uma unidade Embrapii, poderá participar da chamada 01/2015, mas não da 02/2015, e não pode ser feita mais de uma candidatura por chamada.

Para se candidatar para qualquer uma das duas chamadas, a instituição deverá elaborar um plano de ação, com abrangência de seis anos, detalhando quais projetos irá desenvolver, quantas empresas prospectará e a quantidade de recursos que espera alocar em projetos de pesquisa e desenvolvimento nesse período.

“Se a instituição não cumprir a quantidade de recursos que fixou para esse período, ela será mal avaliada e correrá o risco de ser descredenciada como uma unidade Embrapii”, ressaltou Gordon.

Aumento da interação

De acordo com o especialista, já foram credenciadas pela Embrapii 13 instituições em diferentes áreas de competência, sendo quatro situadas no Estado de São Paulo: o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), em materiais de alto desempenho; o Centro Nacional de Pesquisa em Engenharia de Materiais (CNPEM), em processamento de biomassa; a Fundação CPqD, em comunicações ópticas; e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em manufatura aeronáutica.

O IPT, que foi uma das três instituições selecionadas para testar o projeto-piloto da Embrapii, realizava R$ 4 milhões de projetos na área de materiais de alto desempenho em parceria com empresas por ano e saltou para, aproximadamente, R$ 60 milhões anualmente ao ser selecionado e credenciado como unidade da Embrapii, exemplificou Gordon.

“A Embrapii veio para fortalecer uma interação que já existia entre instituições de pesquisa e empresas, com o intuito de ajudar o setor empresarial a ganhar mais competitividade e diminuir seus custos com pesquisa que, muitas vezes, não poderia ser feita apenas com recursos próprios”, afirmou.

“A ideia é que essa interação entre instituições de pesquisa com o setor empresarial no Brasil ocorra de forma mais robusta”, explicou.

Em São Paulo, as três universidades públicas estaduais – Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) – apresentam um nível de interação com empresas semelhante às 20 universidades norte-americanas que mais realizam projetos em colaboração com o setor empresarial, apontou Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, na abertura do encontro.

Ao contabilizar a participação de contratos com empresas no total de recursos despendidos em pesquisa pelas três universidades públicas estaduais paulistas em 2012, Brito Cruz identificou que na USP foi 5%, na Unesp, 6% e  na Unicamp, 7%.

Comparadas com as 20 universidades norte-americanas que mais arrecadam recursos de empresas para realizar projetos em conjunto, a Unicamp seria a 11ª colocada, a Unesp a 14ª e a USP a 17ª.

“Esses dados mostram que não é pequena a interação entre universidades e empresas em São Paulo, mas não significa que está bom e não é preciso fazer mais nada. Pelo contrário: é preciso que seja ainda maior”, ponderou Brito Cruz.

Mais informações sobre as duas chamadas da Embrapii podem ser obtidas em embrapii.org.br/categoria/chamadas-publicas/.

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