Cresce utilização de nanotecnologia em recuperação avançada de óleo

Publicado em 25/09/2014
Último Instante, em 19/09/2014

Cada vez mais, a nanotecnologia pode ser usada para aumentar a eficácia da recuperação avançada de petróleo, essa conclusão foi debatida na Rio Oil&Gas, promovida pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). O setor tem trabalhado na combinação de nanoquímica e nanofísica para a criação de um Nano Agente capaz de melhorar a taxa média de recuperação de petróleo, de 20%, apontou Rustom Mody, vice-presidente de Tecnologia da Baker Hughes. De acordo com ele, “é incrível o crescimento em patentes de nanotecnologia nos últimos dez anos”. Atualmente, 60% delas estão nos Estados Unidos e no Canadá. Mody sinaliza que, desde 2009, o mercado de nanos passou a movimentar R$ 19,6 bilhões, ante os R$ 9 bilhões de cinco anos atrás.

A Baker Hughes trabalha atualmente em um revestimento desenvolvido com composto de carbono e constituído através de nanoligantes. Segundo o executivo, seu produto inovador consegue suportar uma temperatura de 700 graus fahrenheit, o que possibilita a utilização em poços geotérmicos. “O desgaste ocasionado pelos materiais que passam pelo poço é crítico. Além de resistente a esse tipo de processo, o revestimento nano é contra corrosão”, destaca Mody.

O método de injeção de nanopartículas inorgânicas nos processos exploratórios de Castilla – um campo de óleo pesado localizado na Colômbia – foi apresentado por Richard Romero, da Ecopetrol: “Fizemos ensaios estáticos e dinâmicos, além de uma simulação de absorção”. Romero conta que foram testadas dois tipos de nanopartículas e que aquela com melhor desempenho apresentou 112 mg de asfaltenos. O resultado foi uma redução na viscosidade do petróleo, além da diminuição em cerca de 35% do BSW (basic sediments and water) – fração de água produzida, comparada com a produção total. “Durante o procedimento, conseguimos atingir a produção recorde de 141 barris/dia e melhorar a mobilidade do óleo”, destaca Romero.

Também participaram do debate Fernando Galembeck, diretor do LNNano (Laboratório Nacional de Nanotecnologia ) e professor da Unicamp; Mohsen Ahmadian, gerente de Projeto da Universidade do Texas em Austin; Claudius Feger, gerente sênior de Dispositivos Inteligentes da IBM Research Brazil; Lua Selene, engenheira de Petróleo da Petrobras/Cenpes, além da moderadora Priscila Moczydlower, da Petrobras.

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