Como se mede o sucesso de uma tecnologia?

Publicado em 19/08/2009
CTBE apresenta em Campinas ferramenta de análise do sucesso de tecnologias em desenvolvimento na área de bioetanol

Assessoria de Comunicação, em 19/08/2009

Hoje em dia é relativamente fácil avaliar o sucesso de uma pesquisa científica. Uma das formas de se fazer isso é quantificar, por meio do uso de ferramentas computacionais, o número de citações que o trabalho publicado recebeu. Além disso, pode-se examinar os estudos anteriores dos cientistas envolvidos no projeto. Se estes profissionais possuírem várias publicações ligadas à área de pesquisa do trabalho atual e estas ocorrerem em renomados periódicos científicos internacionais, isto é um forte indício de que o estudo em questão foi bem desenvolvido.

Entretanto, quando o assunto é desenvolvimento de tecnologias, a qualificação dos processos tecnológicos relacionados é algo bem mais desafiador. Ainda mais quando a tecnologia em questão está em desenvolvimento, pois, como é que se mensura o sucesso de algo que ainda não existe? Pensando em casos desta espécie é que o Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) apresentou durante o Workshop que terminou na última sexta-feira em Campinas-SP o seu programa da Biorrefinaria Virtual de Cana-de-açúcar (BVC).

A BVC é uma ferramenta de simulação computacional projetada com o intuito de analisar os impactos econômicos, sociais e ambientais de novas tecnologias ligadas ao ciclo produtivo da cana-de-açúcar. Sua elaboração permitirá que instituições de pesquisa, governos, agências de fomento e empresas definam prioridades de estudo, avaliem o sucesso de projetos executados e planejem investimentos em novas tecnologias a partir de dados consistentes gerados pela ferramenta.

Porém, para que a Biorrefinaria Virtual consiga simular adequadamente o que acontece no setor sucroalcooleiro, o coordenador do programa Antonio Bonomi explica que alguns cuidados precisarão ser tomados durante a sua construção. Primeiro, os pesquisadores do CTBE e instituições parceiras terão que buscar na literatura e junto ao setor industrial dados consolidados que servirão de base para a modelagem de uma biorrefinaria padrão de açúcar, etanol (de primeira geração e, futuramente, de segunda) e co-geração de energia elétrica. Feito isso, a próxima etapa será a criação de modelos matemáticos que visem a otimização dos processos desta usina, de modo que os usuários da ferramenta consigam identificar, entre outras coisas, quais processos permitirão um melhor aproveitamento industrial do bagaço e da palha da cana. Esses modelos terão que ser aplicados e validados por outras instituições para que a sua utilização na BVC seja efetivada.

A partir do momento que todos os modelos forem integrados a uma ferramenta de simulação computacional, será possível verificar quais alterações uma nova tecnologia trará ao cenário produtivo atual.

Várias rotas tecnológicas deverão ser avaliadas pela BVC coordenada pelo CTBE. Inicialmente o projeto prevê a avaliação da rota de etanol de primeira e segunda geração, combustíveis originados por processos termoquímicos e a química ligada ao açúcar, álcool e material lignocelulósico. Todas estas rotas vão considerar os processos industriais e agrícolas envolvidos.

Rede de Modelagem e Simulação

Segundo Bonomi, um projeto tão complexo quanto este não conseguirá ser desenvolvido exclusivamente pelo CTBE. Uma rede de instituições, que começou a tomar forma no Workshop da última semana, será necessária para que o escopo do projeto possa avançar para além da modelagem de processos industriais atualmente existentes.

A abrangência final da BVC será determinada pelas subredes responsáveis pela construção da ferramenta. Bonomi explica que o número de instituições, profissionais e horas de trabalho dedicadas ao projeto é que dirá se as metas e os prazos de execução propostos pelo CTBE serão realmente cumpridos. “O próximo passo rumo a elaboração da BVC será definir um comitê gestor interino da Rede de Simulação que comporá as subredes e definirá as primeiras reuniões de trabalho. Uma vez que tivermos definido o plano de trabalho para cada subrede e o que será feito por quem, conseguiremos delimitar o escopo e a amplitude do projeto como um todo”, reforça Bonomi.

Até o final de 2010 se espera ter uma versão preliminar operacional da Biorrefinaria Virtual de Cana-de-açúcar que contemple as rotas de etanol convencional e celulósico.

Desafios

Para Joaquim Seabra, pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Energéticas da Unicamp e palestrante do Workshop do CTBE, um dos pontos chave para o sucesso da BVC será o levantamento e obtenção de dados de entrada aos modelos matemáticos homogêneos e consistentes, capazes de permitir a comparação entre diferentes tecnologias. Já Rubens Maciel, também da Unicamp, afirma que o passo mais importante para a construção de uma ferramenta tão complexa quanto esta já foi dado. “O mais difícil é justamente conseguir reunir as inúmeras competências brasileiras nesta área e comprometê-las com a execução do projeto. Uma vez que esteja claramente definido o que cada um terá que fazer, acredito que o programa da Biorrefinaria Virtual tem tudo para ser um sucesso”.

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someone