Com 50% da receita gerada por criações recentes, Embraer é campeã pelo 3º ano

Publicado em 05/07/2018
Valor em 05/07/2018

Pelo terceiro ano consecutivo, a Embraer é a líder do ranking das empresas mais inovadoras do país, de acordo com o anuário Valor Inovação Brasil, produzido em parceria com a Strategy&, consultoria estratégica da PwC. A empresa aplica cerca de 10% do faturamento, de US$ 6 bilhões anuais, em pesquisa e desenvolvimento (P&D). “Cerca de 50% de nossa receita hoje é gerada por produtos e serviços criados nos últimos cinco anos”, aponta o diretor de estratégia de inovação da Embraer, Sandro Valeri.

Esse é um dos ativos que levaram a líder mundial da indústria aeroespacial, a americana Boeing, a formalizar uma proposta de sociedade com a concorrente do Brasil. O modelo de parceria, que ainda está em negociação, envolve a equipe de engenheiros da fabricante brasileira, um time que conseguiu, por exemplo, tirar do papel e colocar em operação uma nova família inteira de jatos de passageiros, a E-2, em menos de cinco anos.

O trabalho de pesquisa e desenvolvimento é comparado a uma engrenagem “que não pode parar”, segundo João Carlos Brega, CEO da Whirlpool na América Latina. “Sabemos que a economia tem ciclos, por isso é preciso sempre conciliar a estratégia de longo prazo com a execução do curto prazo.” Hoje, a empresa trabalha no desenvolvimento de produtos que serão lançados nos próximos dois anos. Somente em 2018 serão 200 produtos novos na América Latina, dos quais 60% destinam-se ao Brasil.

Dona de uma carteira bilionária de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), a Petrobras, terceira colocada no ranking, quer acelerar o passo rumo à revolução da indústria 4.0. para aumentar a segurança e a eficiência de suas operações. “Um dos objetivos é aproximar-se mais das startups para pegar ideias e produtos utilizados por outras indústrias e trazer esse conhecimento para nossos projetos”, diz Orlando Ribeiro, gerente do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes).

Novos produtos são tão importantes que a Natura, quarta colocada, estabeleceu um índice de inovação baseado neles. O cálculo leva em conta a somatória da receita bruta dos últimos 12 meses proveniente de produtos lançados em 24 meses, versus a receita bruta total dos 12 meses. Entre 2016 e o ano passado, o índice cresceu 7,5 pontos percentuais, passando de 57,1% para 64,6%. Os números só levam em consideração o desempenho da empresa no Brasil.

A estratégia da 3M Brasil, por sua vez, é estimular a interação entre suas subsidiárias para acelerar o desenvolvimento colaborativo de soluções inovadoras de interesse comum.
“Com a nova abordagem, será possível compartilhar os projetos ainda na fase inicial, identificar mercados com necessidades similares e começar o quanto antes o desenvolvimento conjunto”, explica Camila Cruz, diretora de pesquisa e desenvolvimento da 3M Brasil, quinta colocada.
Outra empresa que direciona cada vez mais os esforços de inovação aos conceitos da indústria 4.0 é a WEG, fabricante de motores elétricos. Um exemplo é o WEG Motor Scan, sistema de monitoramento das condições gerais do equipamento. “O dispositivo vai se tornando mais preciso e inteligente à medida em que é usado, já que o processamento e a comparação dos dados coletados aumentam a eficácia do diagnóstico”, diz o diretor de engenharia, Milton Capella.

Na Cielo, sétima do ranking, o caminho escolhido foi alocar as duas áreas voltadas para inovação no projeto “Garagem Cielo”, com a função de promover debates, projetos e hackathons – maratonas de programação que visam a resolução de um problema ou a criação de uma solução – voltados para a inovação.  O resultado de uma dessas pesquisas foi o desenvolvimento do terminal Lio, lançado em 2016. Além de transacionar cartões, a máquina conta com ferramentas e aplicativos de gestão de estoque e de fluxo de caixa. Oitavo no ranking, o Laboratório Aché aposta na biodiversidade brasileira para desenvolver moléculas para fabricação de medicamentos. Para tanto, firmou parceria com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e a empresa.

Adquirida por uma das suas maiores rivais, a japonesa Nidec, a Embraco tem atualmente 1,2 mil patentes vigentes e conseguiu reduzir em até 50% o tempo de pesquisa e desenvolvimento. Cerca de 60% da receita da companhia é proveniente de produtos desenvolvidos nos últimos cinco anos.
Com orçamento anual de R$ 6 bilhões, o Bradesco desenvolve oito programas com polos para negócios, inteligência artificial e startups para acelerar a inovação. As iniciativas estão organizadas sob um guarda-chuva batizado de inovaBra. Uma delas é o Habitat, por onde já passaram mais de 18 mil pessoas, além de funcionários do banco em busca de reciclagem. O espaço já tem mais da metade das 250 vagas para startups ocupadas e quase 40 empresas de grande porte já se instalaram no prédio para ficar perto das empresas novatas.