Cerqueira Leite: “Eu investiria no Pró-Álcool”

Publicado em 30/04/2014
Revista Caros Amigos, em 25/04/2014

Entrevista: Rogério Cezar de Cerqueira Leite

Um dos principais pesquisadores do País, Cerqueira Leite afirma que Brasil poderia com o etanol substituir 10% da gasolina do mundo

Aos 82 anos, o engenheiro eletrônico e físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite entusiasma-se ao falar do Brasil e da produção científica, principalmente do Pró-Álcool, chegando a afirmar que o Brasil deveria deixar as reservas do pré-sal onde estão e investir o mais de 1 trilhão de dólares necessários para retirar o petróleo debaixo do oceano no etanol. Diz que com isso o Brasil poderia suprir 10% do consumo mundial de gasolina e ajudar a combater o efeito estufa, o maior risco que vê hoje para a humanidade. Defende também a pesquisa científica e destaca a criação dos quatro laboratórios nacionais que ajudou a construir e dirigiu, porque são equipamentos que podem ser usados por cientistas brasileiros e de todo mundo para fazer pesquisa de base e criar tecnologias.

Leia abaixo os principais trechos de entrevista exclusiva concedida à Caros Amigos em sua casa em Campinas, onde trabalha e convive com diversas obras de arte, sua outra grande paixão.

Caros Amigos – Gostaria de pedir ao senhor uma análise sobre a política de ciência e tecnologia do Brasil de uma maneira geral.

Rogério Cezar Cerqueira Leite – Acho que um país como o Brasil precisa ter um grande esforço em certas áreas que não podem ser deixadas para trás. Recentemente houve grande acerto do governo, que resolveu fazer alguns laboratórios nacionais. São laboratórios abertos a qualquer pesquisador que queira desenvolver seus estudos, seja universidade, seja empresa. Os projetos são avaliados duas vezes por ano. Se é bom, é selecionado. São justamente os quatro laboratórios dos quais fui presidente até recentemente, de nanotecnologia, de biotecnologia, criados um pouco antes graças a um apoio especial do ex-presidente Lula. Ele entendeu os projetos e deu bastante apoio. O outro laboratório é o Síncrotron, que já está construído e atua da mesma maneira, como laboratório aberto. E um quarto, que é uma necessidade para o setor de energia, que se dedica ao etanol. O etanol ainda tem muita coisa a ser desvendada, muita tecnologia ainda a ser desenvolvida. Basta dizer que não existe nenhum artigo brasileiro sério sobre a fotossíntese. Existem trabalhos na Índia, alguns poucos nos Estados Unidos… No Brasil deixaram isso para lá. Desenvolveram muitas tecnologias, mas sem conhecer a especificidade dessa planta, a cana. Nesses laboratórios são feitas pesquisas de base e desenvolvidas tecnologias. Os grandes equipamentos, como o Síncrotron, foram projetados e feitos inteirinhos no Brasil, com muita tecnologia e muita engenharia inclusive.

Leia a entrevista completa na edição 205 de Caros Amigos

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