Carlos Américo Pacheco assume diretoria geral do CNPEM

Carlos Américo Pacheco, diretor-geral do CNPEM, discursa durante cerimônia solene de apresentação

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) realizou nesta quinta-feira (16) a cerimônia de apresentação de seu novo Diretor-Geral, Carlos Américo Pacheco. O evento aconteceu no campus do CNPEM na cidade de Campinas – SP e contou com a presença do Ministro de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo.

O Ministro visitou as instalações dos quatro Laboratórios Nacionais do CNPEM e destacou a importância do Centro para a construção da soberania científica e tecnológica do Brasil. Segundo Aldo Rebelo, os temas de pesquisa do CNPEM, como biocombustíveis e doenças negligenciadas, correspondem às demandas mundiais e nacionais. “Aqui se faz ciência voltada às exigências do nosso povo e do Brasil”, afirmou Rebelo.

Durante seu discurso de apresentação, Carlos Américo Pacheco reiterou o comprometimento do CNPEM e de seus Laboratórios Nacionais com a produção de novos conhecimentos, o aumento da qualidade de vida dos brasileiros e com a geração de oportunidades econômicas – na fronteira da inovação: “Devemos servir em primeiro lugar ao país, aos seus desafios estratégicos”.

O novo Diretor-Geral também defendeu o modelo de Organização Social, destacando a importância que este modelo de gestão exerce para a produção de melhores resultados. “O Estado brasileiro pode executar políticas públicas com maior impacto e qualidade valendo-se de Organizações Sociais pautadas pelo mérito”, afirmou Pacheco.

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Carlos Américo Pacheco foi empossado Diretor-Geral do CNPEM no dia 30 de março deste ano. “O Conselho de Administração do Centro elegeu Pacheco por unanimidade”, lembrou José Ellis Ripper Filho, membro do Conselho de Administração do CNPEM, representante do Diretor do Conselho, Pedro Wongtschowski, na sessão solene. Ex-reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Pacheco deve cumprir um mandato inicial de três anos.

Jonas Donizette, Prefeito de Campinas; Rogério Cezar de Cerqueira Leite, Presidente Honorário do CNPEM e José Ellis Ripper Filho, representante do Conselho de Administração do CNPEM compuseram a mesa diretora da Sessão Solene, ao lado de Pacheco e do Ministro Aldo Rebelo.

A cerimônia também contou com a presença de convidados e autoridades ligadas diretamente ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia no país, como Carlos Henrique de Brito Cruz, Diretor Científico da Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPESP); Marco Antonio Raupp, Ex-Ministro de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação; Glaucius Oliva, Ex-Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); Prof. Fernando Sakane, Reitor do ITA; Leonel Perondi, Diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Sobre o CNPEM

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) é uma organização social qualificada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Localizado em Campinas-SP, possui quatro laboratórios referências mundiais e abertos à comunidade científica e empresarial. O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) opera a única fonte de luz Síncrotron da América Latina e está, nesse momento, construindo Sirius, o novo acelerador brasileiro, de terceira geração, para análise dos mais diversos tipos de materiais, orgânicos e inorgânicos; o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) desenvolve pesquisas em áreas de fronteira da biociência, com foco em biotecnologia e descoberta de fármacos; o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia de Bioetanol (CTBE) investiga novas tecnologias para a produção de etanol celulósico; e o Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) realiza pesquisas com materiais avançados, com grande potencial econômico para o país.

Os quatro Laboratórios têm, ainda, projetos próprios de pesquisa e participam da agenda transversal de investigação coordenada pelo CNPEM, que articula instalações e competências científicas em torno de temas estratégicos.

Discurso na íntegra do diretor-geral do CNPEM, Carlos Américo Pacheco:

Prezados Amigos

Quero saudar todos os colaboradores do CNPEM, pesquisadores, servidores e bolsistas que fazem o sucesso desta instituição.

Quero saudar o Ministro Aldo Rebelo, com a certeza de que vai, apesar das dificuldades, conduzir o Ministério com a visão de que a ciência e a inovação são estratégicas para o desenvolvimento nacional. Saúdo também nosso Prefeito, o Sr. Jonas Donizette, que tem a responsabilidade de liderar este nosso polo tecnológico.

Quero agradecer a presença de todos, do Diretor Científico da FAPESP, o ‘velho’ amigo Dr. Carlos Henrique de Brito Cruz. Quero saudar os amigos do ITA e do DCTA, em nome do reitor, Prof. Fernando Sakane e do Maj. Brig. Wander Golfetto. E agradecer a presença do ex-Ministro Raupp, do Ex-Presidente do CNPq Glaucius Oliva e do diretor do INPE, Dr. Leonel Perondi, em nome de quem cumprimento os dirigentes de C&T, especialmente os colegas aqui de Campinas do CPqD, Eldorado, CTI e do ITAL. E gostaria de agradecer à Unicamp, na pessoa da Prof. Teresa Atvars, pró-reitora de desenvolvimento universitário, pela ampla cooperação e pela minha cessão ao CNPEM.

Queria agradecer ao nosso Conselho de Administração, na figura do Dr. José Ellis Ripper Filho, pela confiança depositada em mim. Queria expressar meu respeito ao Dr. Pedro Wongtschowski, presidente de nosso Conselho e que alia as qualidades de líder empresarial a uma rara clarividência sobre o papel da inovação para nosso futuro.

Deixei o ITA há poucas semanas e assumi o CNPEM com a convicção que os desafios aqui são tão animadores como o reestruturação do ITA e que vamos identificar sinergias entre estes projetos, como revela o fato de muitos iteanos terem contribuído para a história deste Centro, a exemplo desta mesa.

Antes de tudo, quero prestar uma homenagem aos pesquisadores que fizeram deste laboratório algo impar. São muitos, e por isto sintetizo em alguns nomes que estão na sua origem: o Prof. Roberto Lobo, que coordenou as iniciativas precursoras, o Aldo Craievich, primeiro diretor científico do LNLS, o Ricardo Rodrigues, responsável pela engenharia – hoje envolvido com o desafio do Sirius. Um agradecimento especial cabe ao Prof. Rogério Cerqueira Leite, pela sua capacidade de articulação e pela forma como atropela a história e, às vezes, a todos nós também.

Quero prestar um agradecimento especial também ao Prof. Cylon Gonçalves da Silva. O LNLS e o CNPEM tiveram muito bons diretores, como os oito anos do José Antônio Brum e a competente gestão do Dr. Kleber Franchini, no último ano, além da passagem do Michal, do Colli e do Aragão. Mas ninguém está tão identificado com esta instituição e sua transformação em um paradigma de gestão e de capacidade de servir à ciência brasileira como o Cylon – o primeiro defensor do conceito de Organização Social entre nós e, durante anos, a liderança mais obstinada deste projeto.

O que se espera de um Laboratório Nacional é ser relevante para o país. Não se trata de um impacto singular, numa única dimensão. O que fazemos pode ser avaliado em muitas frentes: o que produzimos de conhecimento novo, o que agregamos à qualidade de vida dos brasileiros e o que potencializamos enquanto oportunidades econômicas – na fronteira da inovação.

Os desafios de ampliar o conhecimento estão no nosso DNA. Engenharia e ciência de qualidade, mesmo desinteressada, são a essência deste centro e devem ser nutridas cotidianamente. Isto é decisivo, pois é a paixão pelo conhecimento que atrai talentos e cria a atmosfera que impregna este campus.

Mas nosso mote principal é produzir ciência orientada pelo uso. Pesquisa básica, nada trivial porque distinta do mero desenvolvimento, mas aplicada, voltada aos desafios da vida real. Na caracterização de proteínas, em fármacos, em novos materiais, em alternativas energéticas e em muitas outras frentes. Nosso desafio é o mesmo do país – nosso desejo é idêntico ao da Nação: o desenvolvimento e a soberania.

Este Centro cresceu com naturalidade, embora com polêmicas, a partir das aplicações de suas linhas de luz, de forma a melhor atender seus usuários. Foi assim com a microscopia, com a cristalografia, com a ressonância magnética. Estas infraestruturas complementares se transformaram em novos laboratórios. A reconhecida seriedade do Centro nos levaram a receber também o Laboratório Nacional de Bioetanol.

Uma característica única do CNPEM é reunir competências complementares, em instrumentação, em nanotecnologia, em biologia molecular, em energia, etc. Há poucos Centros desta natureza no mundo e esta é uma vantagem a ser explorada.

Uma segunda singularidade é a capacidade de projetar e construir grandes equipamentos. O Síncrotron não é impressionante, apenas pelo que agregou na capacidade de fazer boa ciência. Foi além, ao ser um projeto ambicioso de engenharia, feito aqui a um custo menor que equipamentos similares. Cercado de muito ceticismo na sua origem, sua construção foi uma ruptura em relação ao passado.

Uma terceira peculiaridade foi se estruturar na forma de uma Organização Social. A ABTLus nasceu antes da Lei das OSs. Várias OSs foram qualificadas desde então. Mas nossa OS, a mais inovadora experiência institucional da ciência brasileira, foi qualificada pela própria Lei, o que é inusitado.

O que nos reserva o futuro? Sem dúvida mais ambição, melhor ciência, maior interdisciplinaridade, mais engenharia, melhor gestão, maior internacionalização, mas especialmente maior impacto na vida nacional.

Como Laboratório Nacional devemos servir em primeiro lugar ao país, aos seus desafios estratégicos. Queremos ser parte das plataformas do conhecimento que precisamos para produzir ciência e tecnologia de qualidade. Queremos ser parte ativa da internacionalização da ciência brasileira, queremos ser parceiros do setor privado na sua tarefa de mudança em direção a atividades de maior valor agregado.

Parte de nosso futuro será norteado pelo Sirius. Um projeto mais ambicioso do que o primeiro Síncrotron. Um projeto de maior risco, por conta das parcerias com empresas na construção de equipamentos e na criação de capacitações tecnológicas que não temos. Um desafio que implica qualificar uma nova comunidade de usuários com as competências necessárias para usar um equipamento de 4ª geração.

Mas nosso maior desafio será reforçar a sinergia entre os Laboratórios que compõe o CNPEM, de modo a mobilizar competências complementares em benefício do país, dos usuários externos e do próprio CNPEM. Explorar esse potencial para produzir ciência e tecnologia de altíssima qualidade, usando e desenvolvendo equipamentos no estado da arte. Ir além do que já fazemos em nossas linhas de luz dedicadas ao estudo de estruturas de proteína e de nanoestruturas, explorando a natureza interdisciplinar do Centro, em aplicações nas áreas da saúde, energia e materiais avançados. Estou convencido de que os diretores dos laboratórios compartilham essa mesma visão.

Este desafio terá de ser acompanhado da consolidação do modelo de Organização Social. Uma OS executa atividades de interesse público através de um Contrato de Gestão. Uma OS é essencialmente uma instituição parceira do Estado, que atua na órbita do direito privado, mas com inúmeros controles: do Conselho de Administração, em que o Estado tem assento, da auditoria interna, da auditoria externa independente e ainda da Comissão de Avaliação. O que difere uma OS é ser avaliada pelos resultados e não procedimentos. Temos procedimentos claros, de compras, de contratações. Mas o central é ter flexibilidade para produzir melhores resultados.

O CNPEM se orgulha de ter produzido resultados esplêndidos. Os próprios órgãos de controle reconhecem isto. Mas é preocupante que a difusão do modelo de OS acirre a tentativa de assemelhá-las à gestão pública tradicional. Sob o condão de conceitos de economicidade e eficiência na alocação dos recursos, volta-se sempre à tentativa de regular o funcionamento das OS pelas normas que regem a administração pública, como infelizmente exemplifica a seção de ontem do Supremo Tribunal Federal.

O exemplo dos laboratórios nacionais norte-americanos deveria nos inspirar. Los Alamos, Argonne, Brookhaven, Oak Ridge são instituições gerenciadas por entidades privadas sem fins lucrativos. Hoje são 39 grandes centros de P&D que geram resultados expressivos e asseguram a retenção de recursos humanos qualificados.

Caro Ministro, nosso esforço aqui foi, é e será mostrar que o Estado brasileiro pode executar políticas públicas com maior impacto e qualidade valendo-se de Organizações Sociais pautadas pelo mérito. Somos e queremos ser exemplares e faremos tudo para isto, inclusive aprimorando o modelo de gestão. Como escreveu o Marechal Casimiro Montenegro, o idealizador do ITA e do CTA, em documento dos anos sessenta: “Ensino e pesquisa, em alto nível e com adequada produtividade, são comprovadamente incompatíveis com a estruturação da administração pública comum”.

Precisamos de ajuda para evitar retrocessos. E precisamos de sua ajuda para atravessarmos este período de ajuste fiscal necessário, mas difícil. Esta é uma preocupação enorme de todos nós, mas não é momento, nem o local para aprofundarmos esta discussão.

Só posso dizer que darei o melhor de mim para corresponder às expectativas de minha indicação para a Direção Geral. Conto com o apoio da equipe da Casa – todos aqueles que, diariamente, aqui trabalham muito motivados por ideais de produzir ciência e tecnologia de qualidade.

É uma empreitada que vale muito a pena, pelo que pode contribuir ao país.

Muito Obrigado.

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