Campinas vira centro de pesquisa em petróleo

Publicado em 01/04/2013

Correio Popular, em 31/03/2013

 

Campinas não extrai e nem refina petróleo, mas está se transformando em um centro de excelência do setor, de onde saem inovações e produtos.

O mercado é promissor e, segundo prospecção feita pelo vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Juan Quirós, a região deve receber investimentos de R$ 1,5 bilhão até 2014, destinados a atender as necessidades do programa pré-sal.

Além da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que há mais de 20 anos forma mestres e doutores na área e mantém cerca de 70 convênios de pesquisas em petróleo e gás, alguns gigantes do ramo estão instalando laboratórios em Campinas.

É o caso da Petrobras, que implantará um Centro de Tecnologias de Engenharia de Poço no Parque Tecnológico do Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, e da Cameron do Brasil, que vai investir cerca de US$ 8 milhões em uma unidade de pesquisa no Parque Científico da Unicamp para desenvolver equipamentos e materiais necessários à exploração da camada de pré-sal.

Para o diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique Brito Cruz, o que atrapalha um pouco é a má situação da Petrobras, que tem sofrido muito pelas decisões do governo federal.

“A crise pela qual a empresa passa acaba limitando a capacidade de investimento, o que é especialmente ruim, devido à oportunidade do pré-sal e devido às descobertas dos EUA sobre o óleo e gás de shale”, afirmou.

O setor de petróleo tem atraído especialmente as novas empresas que contam com projetos promissores, ligados à pesquisa, investigação e desenvolvimento de ideias inovadoras — as chamadas startups.

Uma delas, a Adest, incubada na Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia (Ciatec) e em parceria com o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) desenvolveu tecnologia para fabricar um filtro usado em poços de petróleo, para separar a areia do óleo, a Tela Premium.

O filtro está em fase de iniciar a produção comercial — a Adest vai montar uma fábrica para isso e será a primeira brasileira a fabricar o filtro, cuja tecnologia, semelhante, é produzida apenas por três empresas no mundo. “Nossos clientes finais serão empresas que atuam no Brasil”, disse Samuel Tocalino, dono da Adest.

Outra startup que mergulhou no setor de petróleo é a DPR Engenharia, graduada em 2011 na Incubadora de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp).

Com base em convênio com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), está desenvolvendo pesquisas na área de produção de petróleo. Ela presta serviços de análise de estruturas marítimas de produção de petróleo em águas ultraprofundas através de simulações computacionais e ensaios experimentais.

A Softway atende ao mercado de petróleo e gás, com softwares que tratam de regimes aduaneiros especiais, gerenciam a entrada de produtos importados que serão usados para a exploração de petróleo e também de componentes para a construção de plataformas.

A GEA Westfalia Separator do Brasil Indústria de Centrífugas Ltda. produz centrífugas usadas no tratamento de fluídos utilizados na perfuração, separação de óleo de “água produzida/drenada”, drenagem de petróleo cru, separação de partículas finas de catalisador.

A Petrobras, disse Walter Carvalho, dono da Fotônica (uma das empresas chamadas de “filhas” da Unicamp), é o maior cliente do País, com capacidade de alavancar muitas empresas. Em Campinas, segundo ele, onde há formação de mestres e doutores na área, e um campo importante de inovação, trabalhar como parceiro da estatal é promissor.

Durante anos a Fotônica forneceu cordões e distribuidores para a rede ótica de plataformas e desenvolveu uma caixa de fibra de vidro para sistemas, que são usadas pela estatal em ambientes corrosivos.

Um dos laboratórios importantes na área do petróleo instalado em Campinas é o Labpetro, da Fundação de Apoio ao Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (Facti), uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia — ali são desenvolvidos projetos de pesquisa e atividades tecnológicas para atender demandas do mercado, principalmente projetos voltados para o pré-sal.

O Labpetro presta serviço nas áreas de simulação numérica e desenvolvimento de software aplicados à engenharia de petróleo.

Repercussão: Portal Estiva Gerbi, Investe São Paulo,

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