Campinas terá centro de pesquisas do MIT

Publicado em 20/08/2012

Correio Popular, em 18/08/2012

Vista do polo Ciatec 2, onde ficará o MIT Center: projetos de ponta (Foto: Cedoc/RAC)

Vista do polo Ciatec 2, onde ficará o MIT Center: projetos de ponta (Foto: Cedoc/RAC)

Campinas vai abrigar um centro de pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), um dos líderes mundiais em ciência e desenvolvimento tecnológico. A unidade vai atuar na formação de engenheiros brasileiros e apoiar projetos de pesquisa e inovação para os setores privado e público no País. O MIT Center está nascendo como mais uma unidade do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), instalado no parque tecnológico Ciatec 2, onde já estão outros laboratórios nacionais, como o de Luz Síncrotron (LNLS), de Biociências (LNBio), de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) e de Nanotecnologia (LNNano).

Além de Campinas, anunciou o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, na última quinta-feira em congresso promovido pela Associação Brasileira das Instituições de Pesquisas Tecnológicas e Inovação (ABIPTI), a universidade americana vai também instalar um centro de pesquisa em São José dos Campos. Nessa cidade, a instituição atuará em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), para apoiar pesquisas que serão desenvolvidas no centro de inovação que a instituição brasileira planeja construir em São José.

A proposta do ITA é que esse centro de inovação se dedique ao desenvolvimento de novas empresas, a estimular o empreendedorismo nos alunos e melhorar o ensino de engenharia e no desenvolvimento de tecnologias relevantes para o País, não só do setor aeroespacial e de defesa, mas também na área de petróleo e gás, energias renováveis, tecnologia da informação, entre outras.

A parceria do MIT com o CNPEM ainda está sendo negociada. Com o ITA, já existe um convênio que foi assinado pela presidente Dilma Rousseff (PT) e a instituição americana em abril para a montagem, dentro de seis meses, de um centro de inovação.

A aproximação com a instituição de tecnologia é parte do programa federal Ciência sem Fronteiras que busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional.

Intercâmbio
O projeto prevê a utilização de até 101 mil bolsas em quatro anos para promover intercâmbio, de forma que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no Exterior com a finalidade de manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação. Além disso, busca atrair pesquisadores estrangeiros que queiram se fixar no Brasil ou estabelecer parcerias com os pesquisadores brasileiros nas áreas prioritárias definidas no programa. Também cria oportunidade para que pesquisadores de empresas recebam treinamento especializado em outros países.

“Esperamos que o MIT dê uma grande contribuição no processo de inovação das empresas brasileiras”, diz Raupp. Segundo o MIT, há um total de 58 estudantes brasileiros atualmente na instituição americana, sendo dez de graduação, 40 de pós-graduação e oito visitantes. Há também sete brasileiros em programas de pós-doutorado e três professores do Brasil.

A aproximação do MIT com o Brasil também está se dando junto à indústria. Até 2014, conforme acordo assinado com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) será instalada uma rede de 23 centros de pesquisa e inovação no País. O Serviço Nacional da Indústria (Senai) vai se encarregar de montar a rede, cujos centros vão ajudar pequenas e médias com o desenvolvimento de pesquisas aplicadas de acordo com necessidades dos negócios delas para que se tornem mais inovadoras e competitivas.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ( BNDES) vai repassar US$ 1,4 bilhão para a construção dos centros de pesquisa.

A instituição dos Estados Unidos dará suporte tanto na capacitação de professores e técnicos quanto no desenvolvimento de soluções para o setor produtivo nacional. Os 23 institutos Senai de Inovação atuarão em pesquisas aplicadas com base nas necessidades da indústria em oito áreas estratégicas — produção, materiais e componentes, engenharia de superfícies, microeletrônica, tecnologia da comunicação e da informação, tecnologia da construção, energia e defesa.

SAIBA MAIS 
Os laboratórios do CNPEM

Luz Síncrotron – Opera a única fonte de luz síncrotron (radiação eletromagnética intensa produzida por elétrons em um acelerador de partículas) da América Latina e um conjunto de instrumentações científicas para análise dos mais diversos tipos de materiais, orgânicos e inorgânicos.
Biociências – Desenvolve pesquisas em áreas de fronteira da biociência, com foco em biotecnologia e fármacos.
Ciência e Tecnologia do Bioetanol – Investiga novas tecnologias para a produção de etanol celulósico.
Nanotecnologia – Realiza investigações com materiais avançados, em escala atômica e molecular, com grande potencial econômico para o País.

CTI Renato Archer vai certificar produção nacional de softwares

O Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, que tem sede em Campins, será o responsável pela certificação dos softwares produzidos no Brasil, medida que pretende dar aos programas brasileiros condições de vantagens nas licitações do governo. Na segunda-feira, em São Paulo, o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, apresentará aos empresários o Programa Estratégico de Software e Serviços de Tecnologia, o TI Maior.

Segundo o ministro, o programa traz uma série de medidas para estimular o setor de software nacional a inovar e criar novas empresas de base tecnológica para dar condições de qualidade e competitividade. Entre as ações previstas, estão a consolidação de ecossistemas digitais, a certificação e a preferência nas compras governamentais para software com tecnologia nacional, a aceleração de empresas nascentes de base tecnológica com foco em programas e serviços, a atração de centros de pesquisa globais e a capacitação de jovens para o mercado profissional

O TI Maior, conforme o ministério, se estrutura sobre cinco pilares: desenvolvimento econômico e social, posicionamento internacional, inovação e empreendedorismo, produção científica, tecnológica e inovação, e competitividade. O CTI Renato Archer, de Campinas, está credenciado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para cumprir esse papel, de acordo com o ministro.

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