Campinas recebe 81% da verba de pesquisa do Estado

Publicado em 05/02/2016
Correio Popular, 02/02/2016

 

Entre investimentos em pesquisa está a construção do Sirius, o novo acelerador de partículas do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS)Elcio Alves

 

Entre investimentos em pesquisa está a construção do Sirius, o novo acelerador de partículas do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS)

 

Campinas foi o destino de 81,5% dos investimentos anunciados pelo setor de pesquisa e desenvolvimento científico no Estado de São Paulo em 2014.

Levantamento divulgado nesta terça-feira (2) pela Fundação Seade aponta que a cidade ficou com US$ 517,8 milhões (R$ 2,06 bilhões) dos US$ 635,2 milhões destinados ao Estado, um crescimento quase quatro vezes maior em relação a 2013, quando ficou com US$ 142,7 milhões. Mas 2014 não foi um bom ano na atração de investimentos gerais para as 82 cidades da Região Administrativa de Campinas, que ficou US$ 2,2 bilhões (R$ 8,75 bilhões), uma retração na atratividade regional de 40,5% em relação a 2013.

Entre investimentos em pesquisa e desenvolvimento que tiveram Campinas como destino, está a construção do Sirius, o novo acelerador de partículas do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), que vai exigir investimentos de US$ 494,6 milhões. Também está incluída a implantação do laboratório de pesquisa e desenvolvimento de produtos químicos feitos com matérias-primas renováveis, pela Braskem, uma joint-venture entre Odebrechet e Petrobras, no valor de US$ 13,4 milhões.

Campinas também foi escolhida pela norte-americana FMC para a América Latina para a instalação do Latin Innovation Center, centro de pesquisa e desenvolvimento de defensivos agrícolas, de US$ 9,8 milhões. A inglesa Oxitec escolheu o TechnoPark para instalar a fábrica de mosquitos geneticamente modificados, para combater os transmissores da dengue, um investimento de US$ 36 mil.
Em 2013, os anúncios tinham sido mais modestos em pesquisa e desenvolvimento: a implantação de centro de P&D em softwares pela Lenovo (US$ 100,0 milhões) e o centro de pesquisa da Honda, em Sumaré (US$ 42,7 milhões).

Para o reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), José Tadeu Jorge, a concentração dos institutos de pesquisa públicos e privados na cidade é o principal incentivo à atração de investimentos na área do conhecimento. “Temos um ecossistema que está na base da atração de empresas, porque formamos mão de obra especializada, os investidores podem trabalhar em sinergia com as instituições e a tendência é de crescimento no número de empresas inovadoras na cidade”, afirmou.

O presidente do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Carlos Américo Pacheco, disse que a produção de conhecimento é vocação da cidade e a chave da competitividade na atração de investimentos em relação a outras cidades.

O prefeito Jonas Donizette (PSB), homenageado ontem pela Fundação Fórum Campinas Inovadora com uma placa pelo apoio que tem dado a área de ciência, tecnologia e inovação, disse que um dos fatores, além do ecossistema existente na cidade, é o fato de a cidade ter a melhor legislação para o setor. Além disso, afirmou que o credenciamento dos parques tecnológicos da cidade no Sistema de Parques Tecnológicos do Estado será mais um fator de atração, porque as empresas poderão receber incentivos fiscais estaduais, como o uso de créditos tributários para investimentos.

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