Ao retirar a palha, o produtor não pode por em risco a produtividade do canavial

Publicado em 03/06/2015
Esta é a opinião de Henrique Junqueira Franco, pesquisador do Laboratório Nacional do Bioetanol, do CTBE. Segundo ele, a retirada da palha precisa ser muito bem planejada e tem que ser na quantidade certa, para que o canavial não seja impactado negativamente.

Ele lembra que a presença da palha na lavoura traz muitos benefícios agronômicos, como:
– Conservação do solo;
– Ciclagem de nutrientes;
– Aumento do estoque de carbono;
– Controle de plantas daninhas;
– Aumento da atividade biológica.

Já na indústria, o produtor utiliza a palha para produzir energia ou etanol de segunda geração.
Segundo ele, de acordo com a região, varia a quantidade de palha que se pode retirar da lavoura sem prejudicar a produtividade do canavial. Há regiões inclusive que nem mesmo é indicada a retirada da palha. Por isso, o produtor tem que tomar cuidado ao tentar viabilizar a biomassa como negócio, para não por em risco a sua principal fonte de renda: a própria cana-de-açúcar, uma vez que a retirada em patamares inadequados pode trazer prejuízos à produtividade. Isto exige que o produtor faça análise de suas áreas para que tenha uma indicação do quanto deve retirar de palha em cada trecho de sua propriedade. “É que o recolhimento não é uma receita de bolo. Devem existir estudos sobre as diferentes realidades da propriedade.”

De qualquer forma, as pesquisas com biomassa de cana-de-açúcar devem avançar, e nas mais diferentes regiões do país, para que se tenha maior clareza do volume aconselhável de palha que deve ser retirado em cada região. Isto vai trazer dados científicos sobre as melhores práticas. “Pelo que percebo, por exemplo, recolher palha no início de safra tem maior impacto sobre a produtividade.” Fator importante para esta indicação são as características do solo de cada área. Principal em solos do tipo argissolo.
Franco lembra ainda que o produtor precisa priorizar o aumento da produtividade de seu canavial. “Com um canavial mais produtivo, vai ter palha para ‘todo mundo’.”

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