Acordo assinado no CNPEM firma parceria em inovação entre Brasil e EUA

Lab Network, em 08/12/2015

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A aproximação dos Laboratórios Nacionais com o setor privado tem papel importante para impulsionar a inovação. foto: freedigitalphotos

Representantes de empresas, instituições de pesquisa e desenvolvimento e agências financiadoras do Brasil assinaram um Memorando de Entendimento com instituições norte-americanas no dia 7 de dezembro. O documento tem como principal objetivo promover parcerias em inovação, visando a superação de desafios tecnológicos e a geração de negócios em diferentes áreas do conhecimento. A parceria foi firmada no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas- SP, durante o evento 8º Diálogos da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

“A inovação é um fator determinante para a prosperidade das nações. Atualmente, enfrentamos desafios enormes, como aqueles relacionados às mudanças climáticas e à segurança cibernética. Estamos diante de questões que não podem ser tratadas por uma só país. Neste contexto, o fortalecimento das plataformas de inovação bilaterais é fundamental”, lembrou Chad Evans, Vice Presidente Executivo do Conselho de Competitividade (CoC) dos Estados Unidos.

Do lado brasileiro, participam do acordo, além do CNPEM e da CNI , o Serviço Social da Indústria (SESI), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), o Serviço Nacional De Aprendizagem Industrial – Núcleo Central (SENAI/DN), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (ANPEI).

A articulação do lado norte-americano é liderada pelo CoC – organização não governamental, apartidária, que tem como membros CEOs de empresas norte americanas, reitores de universidades, líderes da sociedade civil e diretores de laboratórios nacionais.

Além do CoC, seis Laboratórios Nacionais, vinculados ao Departamento de Nacional de Energia (DOE) dos Estados Unidos, também integram o Memorando de Entendimento. São eles: Argonne National Laboratory, Illinois; Lawrence Livermore National Laboratory, California; National Renewable Energy Laboratory, Colorado; Oak Ridge National Laboratory, Tenessee; Pacific Northwest National Laboratory, Washington; Sandia National Laboratories, California e New Mexico.

 

Parceria em Inovação

A partir da assinatura deste Memorando de Entendimento, a CNI e o CoC, principais articuladores da parceria, atuarão para identificar demandas e capacidades de interesse comum dos participantes desta cooperação. Essa identificação deve subsidiar o estabelecimento de projetos de colaboração voltados à solução de desafios tecnológicos e de inovação nas áreas de energia, saúde, meio ambiente, novos materiais e manufatura avançada. “Propusemos este modelo de operação com o objetivo de evoluir o ecossistema de inovação em parceria com outros países”, explica Gianna Sagazio, Diretora de Inovação da CNI.

“A inovação nas empresas é um imperativo econômico, uma forma de sobrevivência a longo prazo. Muitas empresas brasileiras vivem uma situação difícil, em virtude da retração do tamanho do mercado doméstico. O cenário de inovação no Brasil também passa por um período difícil, devido à descontinuidade de recursos em diversas fontes. Neste momento, essa parceria torna-se ainda mais importante, porque a inovação é essencial para manter a competitividade da indústria brasileira”, afirmou Pedro Wongtschowski, membro do Conselho de Administração do CNPEM e do Grupo Ultra.

A importância dos Laboratórios Nacionais (LN) brasileiros e norte-americanos para a promoção da inovação também foi discutida. Conhecidos por possuírem instalações e competências diferenciadas, difíceis de serem mantidas em universidades ou empresas, os LN surgiram para lidar com questões complexas e dar respostas a grandes desafios. A aproximação destes Laboratórios com o setor privado tem papel importante para impulsionar a inovação.

“O desafio é criar um ecossistema virtuoso em torno dos Laboratórios Nacionais, com a participação de empresas e universidades de ponta”, explicou José Roque Diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) – Laboratório que integra o CNPEM, juntamente com os Laboratórios Nacionais de Biociências (LNBio), de Ciência e Tecnologia de Bioetanol (CTBE) e Nanotecnologia (LNNano).

Roque lembrou de iniciativas que já estão em curso para aproximar empresas e Laboratórios Nacionais. Como exemplo, citou as chamadas que o LNLS, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), têm realizado para que empresas brasileiras possam desenvolver produtos e processos necessários para a construção da nova fonte de luz síncrotron, o Sirius. Companhias de Campinas, Santa Catarina, Bahia e outras localidades já são parceiras do projeto e endossam, assim, o setor de inovação nacional.

 

Diálogos da MEI

Além da assinatura do acordo entre Brasil e Estados Unidos, o evento reuniu grandes nomes dos setores públicos e privados para compartilhar experiências no campo da inovação, debater os cenários de ciência, tecnologia e inovação do Brasil e dos EUA e levantar oportunidades de cooperação bilateral.

Participaram dessas sessões de discussão: Carlos Américo Pacheco, Diretor-Geral do CNPEM; Rafael Lucchesi, Diretor de Educação e Tecnologia da CNI; Pedro Wongtschowski, Membro dos Conselhos do Grupo Ultra e do CNPEM; Ricardo Pelegrini, Gerente Geral da Unidade de Serviços da IBM América Latina e líder da agenda de “Inserção Global via Inovação” da MEI; Carlos Henrique de Brito Cruz, Diretor Científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP); Gilberto Peralta, Presidente e CEO da GE Brasil; Antônio José Roque da Silva, Diretor do LNLS; Júlio Ramundo, Diretor de Indústria, Capital Empreendedor e Mercado de Capitais do BNDES. Do lado americano, estiveram presentes: Chad Evans, Vice Presidente Executivo do CoC; Paul Kearns, Vice Diretor de Operações de Laboratório Nacional de Argonne; Pablo Garcia, Chefe de Gabinete da Diretoria Geral e Gerente Técnico dos Laboratórios Nacionais de Sandia; Anantha Krishnan, Diretor de Engenharia do Laboratório Nacional de Lawrence Livermore; e Troy Pedersom, Representante do Consulado dos EUA no Brasil.

 

Histórico da Parceria Empresarial em Inovação Brasil-EUA

O CoC lidera parcerias com o Brasil desde 2007. Há dois anos, na 3ª Conferência de Inovação BRA-EUA, realizada na sede do BNDES, foi lançada a Plataforma de Inovação BRA-EUA, com o objetivo de  consolidar um ambiente de aprendizagem contínua e a prospecção de oportunidades de parcerias em PD&I e negócios.

No âmbito da referida Plataforma, foram lançadas propostas de cooperação tecnológica envolvendo atores públicos e privados dos dois países. No último ano, a CNI e o CoC firmaram instrumento de cooperação com a intenção de aumentar a escala destas parcerias bilaterais. O acordo assinado no CNPEM dará continuidade aos movimentos de aproximação entre os dois países para a promoção de parcerias em inovação.

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