ABC debate rumos da C&T e empossa novos acadêmicos

Publicado em 10/05/2013

FAPERJ, em 09/05/2013

Imagem La Lettre, Collège de France
Davidovich destacou a Petrobras e a Embrapa
como exemplos bem-sucedidos de inovação

“Temos feito boa ciência aqui, mas não conseguimos avançar significativamente em ciência e inovação tecnológica, salvo exceções como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Petrobras. Para isso, é necessário avançarmos em áreas de vanguarda do conhecimento científico como tecnologia da informação (TI), nanotecnologia, biotecnologia e energias renováveis”. A afirmação partiu de Luiz Davidovich pesquisador da UFRJ, membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, durante a abertura da reunião magna realizada nos dias 6, 7 e 8 de maio, na sede da instituição. O evento contou com a presença do presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães; do presidente da ABC, Jacob Palis; e de diversas autoridades e cientistas de todo o país, além da presença de três ganhadores do prêmio Nobel e um vencedor da Medalha Fields, considerada o Nobel da Matemática.

Presidente da ABC, Jacob Palis destacou a atuação da academia, com cerca de 70 atividades realizadas em 2012. “Esse vigor nos habilitou a sediarmos, em novembro deste ano, o Fórum Mundial de Ciência, pela primeira vez fora da Hungria. Será um evento maior, para o qual temos parceria com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Fundação Conrado Wessel (FCW) e a Capes. Será um grande destaque da participação brasileira no cenário mundial de ciência e, certamente, vai contribuir para os dias melhores da nossa ciência perante o poder público”, afirmou.

O evento contou também com a participação vencedor da Medalha Fields – considerada o Nobel da Matemática – de 2006, Wendelin Werner, “por suas contribuições para o desenvolvimento da evolução estocástica Loewner, a geometria bidimensional do movimento Browniano e teoria do campo conformal”; o prêmio Nobel de Física de 2012, Serge Haroche, por “métodos experimentais inovadores que permitem medição e manipulação de sistemas quânticos individuais”; o prêmio Nobel de Química de 2011, Dan Shechtman, pela descoberta de quasicristais; e o prêmio Nobel de Química de 2002 Kurt Wüthrich, pelo “desenvolvimento de espectroscopia de ressonância magnética nuclear para a determinação da estrutura tridimensional de macromoléculas biológicas em solução”.

Cristina Lacerda

     
      O ministro da C,T & I, Marco Antônio Raupp (D), entrega o
diploma de novo acadêmico a Celso Carneiro Ribeiro, da UFF

A programação do evento incluiu três séries de palestras: “Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) nas empresas: desafios”, sob coordenação do pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), Carlos Alberto Aragão de Carvalho; “Estrutura de ensino superior”, coordenada por Débora Foguel, pró-reitora de pós-graduação e pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e “Ciência, Tecnologia e Inovação na Saúde”, coordenado por Eduardo Krieger, da Universidade São Paulo (USP). Para Carlos Alberto Aragão de Carvalho, que discorreu sobre a importância da parceria academia e empresas, e do investimento para a prosperidade econômica brasileira no mercado global, o Brasil tem investido cerca de 1% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em P&D. “O que é uma parcela insuficiente se comparada aos 3,4% e 2,7% investidos por países como Japão e os Estados Unidos”, afirmou Aragão. Ele acrescentou ainda: “O sucesso brasileiro em áreas como o setor do petróleo e a agricultura está diretamente ligado ao alto investimento feito em tecnologia de ponta. Hoje, além de uma indústria aeronáutica de qualidade, que aspira à liderança mundial, somos reconhecidos internacionalmente por produtos como etanol, combustíveis alternativos e renováveis.”

A pró-reitora Débora Foguel falou sobre políticas públicas, carreira docente, ensino e aprendizado nas universidades. Ela apresentou dados do Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam que o percentual de brasileiros com nível superior completo passou de 4,4% em 2000, para 7,9% em 2010, o que representa uma passagem de 6,1 milhões para 12,8 milhões de brasileiros com diploma universitário. “Esses dados também sinalizam uma prosperidade socioeconômica para o trabalhador e o país, sobretudo se for acompanhado de abertura de postos de trabalho, acarretando o aumento da produtividade e do poder aquisitivo”, concluiu.

Ministro da C,T & I destaca potencial da biodiversidade brasileira

Cristina Lacerda
Presidente do Conselho Superior da FAPERJ, Eliete Bouskela
recebe o diploma de acadêmica das mãos de Ruy Marques

Em cerimônia que teve lugar no segundo dia de atividades, na noite de terça-feira, 7 de maio, na Escola Naval, foram empossados os 37 novos membros titulares e correspondentes da ABC. Ao proferir a a conferência de abertura do evento, o ministro da C, T & I, Marco Antônio Raupp, afirmou que 2013 será um ano bom para a ciência brasileira – sem contingenciamento de recursos – e destacou a necessidade de renovar e redimensionar os compromissos da C&T no País. “Precisamos expandir o sistema de C&T para os setores industriais e de serviços. Como exemplo, chamo a atenção para o uso estratégico do conhecimento da biodiversidade do país, que certamente poderá dar ao Brasil a condição de primeira potência ambiental do planeta”, complementou.

Falando em nome dos novos acadêmicos, a nova titular e presidente do Conselho Superior da FAPERJ, Eliete Bouskela, pesquisadora da Universidade do estado do Rio de Janeiro (Uerj) destacou a importância do trabalho dos pesquisadores. “Para tirarmos o Brasil da posição de apenas fornecedor mundial de alimentos e matérias-primas, nos propomos a contribuir com nossas pesquisas. Sempre considerando, evidentemente, que os aspectos éticos e morais da inovação científica, a liberdade de pensamento e ação são essenciais ao ato criativo”, destacou Eliete.

A mesa de abertura contou com a presença do presidente da ABC, Jacob Palis; do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp; do acadêmico e presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães; do secretário-executivo do MCTI, Luiz Antonio Rodrigues Elias; da acadêmica e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Bonciani Nader; do secretário de Ciência e Tecnologia da Marinha do Brasil, almirante de esquadra Wilson Barbosa Guerra; do comandante do Primeiro Distrito Naval, vice-almirante Ilques Barbosa Júnior; do presidente da Finep, Glauco Arbix; do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Augusto Gadelha; do secretário de Ciência e Tecnologia do Município do Rio de Janeiro, Franklin Coelho; do presidente da Fundação Conrado Wessel, Américo Fialdini Júnior; do presidente da FAPERJ, Ruy Garcia Marques; e do presidente da Academia Nacional de Medicina, Marcos Moraes.

As dez áreas de conhecimento abarcadas pela Academia foram contempladas com novos membros. No Rio de Janeiro, além de Eliete Bouskela, tomaram posse: na seção de Ciências Biomédicas, Patricia Torres Bozza, pesquisadora da Fiocruz, Cientista do Nosso Estado e coordenadora de área da FAPERJ; na área de Engenharias, Celso da Cruz Carneiro Ribeiro, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ; e em Ciências Sociais, Peter Henry Fry, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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