A saída de investimentos

Publicado em 06/02/2012

Correio Popular, em 05/02/2012

JOSE AFONSO DA COSTA BITTENCOURT

O jornal Correio Popular informou que 28 empresas migraram de Campinas para cidades da região desde 2006, além de perder R$ 1 bilhão em investimentos japoneses, alemães, americanos e mexicanos e mais R$ 1 bilhão com a construção do Centro Tecnológico de Operações do Itaú-Unibanco que será em Mogi Mirim.

Os obstáculos para desistir de Campinas foram, sobretudo, quanto ao registro da área que seria adquirida no Polo 2 da Ciatec, o que era tido como o plano A do Banco, mas devido as exigências do Ministério Público, preocupado com o adensamento e falta de infra estrutura viária e outros itens e somado às negociações com a prefeitura de Mogi Mirim, tido como plano B do Banco, que se encontra a 50 km de Campinas ou 30 minutos, que alterou o zoneamento rural da área para área urbana onde será instalado o CTO.

Mas é bom ressaltar que todo esse processo foi acompanhado e administrado pelas autoridades constituídas antes do prefeito municipal Pedro Serafim tomar posse, mesmo assim nos esforçamos em reverter uma situação que já estava definida e temos que respeitar a decisão do Banco em escolher o local do seu investimento, princípio básico da Economia de Mercado e desejar que o MP atue com a mesma postura em todas as cidades do Estado de São Paulo.

O Itaú-Unibanco perde a sinergia gerada pela proximidade de empresas que desenvolvem produtos de tecnologia complexa. No Polo Ciatec 2 estão instaladas 30 empresas como o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, o CPqD, a Northen Telecon, e, em construção, dois datas centers do Banco Santander, além da mão de obra especializada das nossas universidades.

Os municípios da Região de Campinas se preparam para atrair empresas, Monte- Mor constituiu seu primeiro Distrito Industrial a 12 quilômetros de Viracopos. Indaiatuba planeja construir um terminal intermodal regional ao lado de Viracopos. Valinhos pretende construir um centro logístico de armazenagem na Rodovia dos Bandeirantes. Nova Odessa aprovou um loteamento industrial fechado (Jardim Esther).

A prática de atrair empresas para promover desenvolvimento tende a se aprofundar diante da economia contemporânea organizada em redes de inovação, produção e comercialização. As grandes empresas preferem municípios inseridos em regiões metropolitanas, devido à maior oferta de bens e
serviços como mão de obra qualificada, centros de pesquisa e de ensino e as infraestruturas (transporte, energia, telecomunicações e saneamento). Interagem com o Poder Público para eliminar obstáculos nas cadeias produtivas e intensificar o uso de infraestruturas de apoio às atividades econômicas, especialmente a de transportes devido à necessidade de reações rápidas e flexíveis no mercado mundial.

Somam-se a isto os investimentos estaduais que ampliarão conexões com Campinas e Viracopos, como a ampliação do anel viário de Campinas (da Anhanguera até a Bandeirantes), a duplicação da estrada Jundiaí-Itatiba, o Corredor de Transportes entre Campinas e Santa Barbara D’Oeste, além do Rodoanel entre Americana e Campinas.

Campinas precisa rever, especialmente, sua legislação urbanística para valoriza seus diferenciais de competitividade regional (localização geográfica estratégica, logística industrial, com subutilização do sistema de transporte multimodal, potencial de inovação, conhecimento tecnológico e de oferta de serviços), como forma de instituir políticas públicas que qualifiquem seus recursos ( humanos, tecnológicos e as infraestruturas). Cria melhor oportunidade para endogeneizar processos produtivos e ampliar a geração de valores e técnicas nas cadeias produtivas, com efeitos multiplicadores no emprego, na renda e nos tributos. Supera políticas da metrópole corporativa baseadas em projetos de infraestruturas para atrair empresas. Houve baixa capacidade local de integrar a produção das grandes empresas, que estavam mais inseridas no mercado internacional do que nos mercados locais.

Por fim, é necessário um Plano Metropolitano para dar eficácia à gestão de políticas públicas regionais e não comprometer projetos estratégicos de desenvolvimento regional, com intuito de ampliar os efeitos multiplicadores do emprego, da renda e dos tributos. Permite também sinergia entre projetos estratégicos e coordenação dos efeitos de demandas derivadas para não gerar novos obstáculos ao desenvolvimento local e regional e a qualidade de vida. Neste sentido o prefeito municipal Pedro Serafim está inserindo Campinas no contexto ntegral, ou seja, de corpo e alma na RMC, diferente dos seus antecessores que nunca pagaram as contribuições ao Fundocamp, compromisso já assumido nesta gestão.

José Afonso da Costa Bittencourt é economista e secretário de Desenvolvimento Econômico de Campinas

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