7º Congresso da Abipti debate políticas de fomento à inovação

Publicado em 16/08/2012

Portal MCTI, em 15/08/2012

Políticas públicas de fomento à inovação e o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec) e Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), como instrumentos de articulação das instituições científicas e tecnológicas com as empresas. Esses foram temas debatidos na abertura, hoje (15), da 7° edição do Congresso da Abipti, evento que se encerra na próxima quinta-feira (16), no San Marco Hotel, em Brasília.

Coordenados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Sibratec e a Embrapii possuem recursos próprios para o estímulo à inovação e estão sendo organizados como estruturas complementares, segundo o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, em exercício, Adalberto Fazzio. “Nós entendemos que a Sibratec e a Embrapii podem conviver juntos”, afirmou.

Segundo Fazzio, o Sibratec é composto atualmente por 56 redes temáticas e definido em três tipos, centros de inovação (14), serviços tecnológicos (20) e extensão tecnológica (22). Inicialmente, os recursos destinados para esta iniciativa, são: R$ 78,5 milhões (2013), R$ 121 milhões (2014) e R$ 114 milhões (2015). Apenas para a área de inovação, serão R$ 45 milhões, R$ 60 milhões e R$ 55 milhões, respectivamente. O fortalecimento da base de sustentação da política de ciência e tecnologia, além da promoção da inovação, formação e capacitação de recursos humanos e fortalecimento da pesquisa e infraestrutura científica, são metas do Sibratec.

Já o projeto piloto da Embrapii, que está sendo constituído com formato de empresa pública, possui R$ 100 milhões anuais, entre 2013 e 2015. Até o momento, compõem a estrutura do grupo de trabalho, além do MCTI e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT/SP), com programa na área da biotecnologia, o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), nas áreas de energia e saúde, e o Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (Cimatec) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), nas áreas de automação e manufatura.

A missão da Embrapii é fomentar processo de cooperação envolvendo empresas nacionais, instituições tecnológicas ou instituições de direito privado sem fins lucrativos, voltados para pesquisa e desenvolvimento. Os objetivos são: criar um ambiente favorável à cooperação entre instituições de ciência e tecnologia (ICT) e empresas, aperfeiçoar os instrumentos de fomento, atuar na fase pré-competitiva e pró-ativa para financiamento das atividades de maior risco no processo de inovação. A duração deste protótipo inicial é de 18 meses.

“A ideia quando da sua criação, é que seria uma instituição voltada para o fomento da inovação industrial com compartilhamento do risco em atividade e desenvolvimento de protótipos, escalonamento, processos, planos pilotos e testes de produtos”, lembra Fazzio.

O secretário em exercício disse, ainda, que “o grupo de trabalho é responsável por apontar alguns indicadores para entendermos como é o processo de evolução no aprendizado desta empresa. São eles: grau de ineditismo, nível do impacto no mercado, complexidade da demanda por segmento e adesão à zona de convergência”.

Fazzio finaliza ressaltando que “o modelo institucional da Embrapii ainda está sendo definido, assim como sua forma de captação de recursos, forma da inclusão de novos institutos e indicadores de resultados”. Dentro do protótipo inicial, já existe a intenção da inclusão de outros institutos, em entendimento com a CNI.

Centro de pesquisa

O diretor da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Ronald Dauscha, avalia que o modelo apropriado para as empresas na composição dos processos inovadores é a adoção de um centro de pesquisa e desenvolvimento próprio. “O modelo que eu avalio interessante, é que a empresa tenha o seu próprio centro de pesquisa. Tem que gerar incremento nas suas tecnologias já existentes e muitas vezes até uma nova tecnologia de forma própria, ou estabelecer uma importante parceria com as universidades e institutos de pesquisa para gerar riqueza”.

O ex-ministro do MCTI, Sergio Rezende, citou a Embrapa como exemplo para a composição da Embrapii. Ele lembrou que “a instituição possuía recurso próprio, mas também havia o aporte da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com grande participação na formação dos quadros da Embrapa”. Em seguida, mencionou alguns avanços conquistados a partir do alto investimento direcionado à instituição. “O Brasil é hoje o maior produtor mundial de açúcar, suco de laranja, café, o segundo maior de soja, o que o país não produzia há 30 anos. Carne bovina e frango. Terceira nação em produção de milho e frutas”.

Segundo Rezende, “o nosso sistema é muito recente. Há 43 anos não existia regime de tempo integral nas universidades brasileiras. A falta total de cultura de inovação das empresas ainda pode ser condicionada a este processo. Até a década de 90, as empresas nacionais de tamanho médio tinham como grande preocupação fechar a folha de pagamento, no mês que a inflação era de 20% ou 30%. A partir, apenas dos anos 2000, é que as empresas passaram a se preocupar com inovação, isso ainda é recente e certamente contribui para a fragilidade do sistema empresarial”.

Para finalizar, Rezende disse que falta investimento no setor e que acredita que esta situação mudará. “Sem mais recursos vai ser difícil evoluir. Mas eu tenho esperança que esta questão do recurso será equacionada. A presidenta Dilma colocou em seu programa de campanha, o que foi discutido detalhadamente e eu ajudei neste processo durante o ano de 2009, que o percentual de investimento iria chegar a 1,8 do PIB brasileiro em 2014”.

Participaram da mesa redonda ainda, o presidente do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), João Alziro Herz Jornada, o gerente executivo de Inovação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Jefferson Gomes, o diretor do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), Domingos Manfredi Naveiro, e o diretor geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho.

Texto: Ricardo Abel – Ascom do MCTI

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